segunda-feira, 29 de outubro de 2007


Uma asfixia constante polvilha minha existência. Como se o firmamento se abatesse sobre mim com intenção de me esmagar. Não sou mais que memória. É atroz… Simplificado por acerba sentença busco sentido. Peças que se distribuam de forma adjacente de modo a poder ter uma perspectiva real da imagem que sucede. Isto é a violência de existir. Cadáver que sou, distraio-me a construir castelos de areia, enquanto aguardo pelo estridular dos dobres a anunciar o momento da retirada. Por cada castelo que rui, construo logo outro de seguida, na esperança parva de que o mais recente seja mais obstinado que o anterior.

Se eu pudesse mais do que querer e menos do que agir…Ser limpo, intenso e feito apenas de verdade. É tudo tão repetitivo e desgastante! Quem não se cansa?

Eu, que existo porque não me consigo esquecer de mim. Desde que me conheço que procuro um desvio, uma palavra, um som, um sorriso que me leve a um lugar diferente, fora disto tudo. Um local sem tempo ou espaço, em que me abandone e me esqueça. Onde? Por aí… Esse pouso que não é destino há quem o chame de amor…

João Vasco

6 comentários:

blá blá blá disse...

Gosto das tuas prosas João. São textos pensantes. Dá vontade de ler do príncipio ao fim sem respirar. E isto é um elogio, ao que parece.
Risos, kisses, Kerubina

blá blá blá disse...

Gosto das tuas prosas João. São textos pensantes. Dá vontade de ler do príncipio ao fim sem respirar. E isto é um elogio, ao que parece.
Risos, kisses, Kerubina

blá blá blá disse...

Opss, era só um comentário
(Mais risos!!!)

poeta_silente disse...

João!
Magníficos posts vi aqui.
"Por cada castelo que rui, construo logo outro de seguida, na esperança parva de que o mais recente seja mais obstinado que o anterior."
A vida, caro João, é feita de castelos desfeitos. Teus sentimentos são os sentimentos de todos. Queremos, ansiamos, necessitamos de mais... precisamos nos encontrar, nos completar... numa busca constante da "felicidade perdida", ao nascermos.
Na realidade, esta contínua renovação de castelos é o que nos da forças... e/ou o que nos distingue entre os "fracos" e os "fortes". Os que são "fortes"... corajosos... não são aqueles que não vêem os castelos serem desfeitos, não são aqueles que não sofrem ou não choram... pois os fortes talvez chorem mais do que os fracos... Mas são aqueles que, mesmo vendo e sabendo que podem ruir novamente, se predispõem a construir novos castelos, novos sonhos.Sempre na esperança... sempre em busca... sempre se polindo e crescendo, no contínuo aperfeiçoamento que nos dará, pouco a pouco, a sabedoria necessária para vivermos.
Deus te abençoe.
Miriam

Juliana Moura ♥ disse...

Perfeito!

P' disse...

Bonito.