
Ser não é mais que continuar. Sem antes nem depois, apenas sob a fímbria da vida, a perdurar, sem escolha. É a submissão humana, o completo retrato da existência. Os dias não têm novidades para o que é imutável. Para quê o cansaço?
Mas o que me escapa dói bem lá no fundo. Pudesse esquecer e seguir…
Como se vive? Assim, de caras, tudo é dado. Depois do espanto o que subsiste? Resta a fuga, o acto teatral no silêncio, a corrida desarvorada. E mesmo assim nada. Esta palavra assusta. E quem manda é sempre o medo. E depois disso uma atracção fatal pela tristeza nasce no âmago de cada coração. Como se fosse inevitável esse caminho. Malditas entranhas que não me deixam ser objecto inanimado sob raios de sol!
É no alvoroço do peito que se faz a beleza. Que os dias se apaguem em amor. Entrementes que faremos nós nestas águas?


















