quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Chuva Isolada



Na sombra do tempo me escondo

Na esperança de encontrar a lua, tresmalhada,

Despida do céu, gravada na chama do teu olhar

Como menina sem sua mãe, perdida.

E ouço os murmúrios cavos da distância

A relembrar-me o medo da saudade

Pelos trilhos feitos na incerteza,

Na acção continuada de mim,

Torturado pelo cunho do esquecimento.


(Onde estás que já nem te vejo a vida

Onde me tens guardado a morrer?)


Aos meus pés, no lugar dos meus passos,

Um passado dito por cinzas amontoadas

À espera de uma brisa que as faça livres

Que as disperse invisíveis como a memória

Para que tudo seja como tem que ser.


(Onde estás que já não te procuro

Onde me deixaste longe de mim?)


Estou no limbo, na minha fronteira do amor

No lugar onde as palavras se emudecem

E em que os silêncios são vociferados.

Aguardo por um tempo certo de agir,

Por um clamor sibilado de sentimento,

Por uma paisagem imarcescível de ti,

Por um fado sonhado na rua.


(Onde estás que tanto te quero bem

Onde levas contigo a Primavera?)


Esta frágua na manhã do meu acordar

Não se perde pelos sabores da tarde,

Despe-se de sua copa adstringente

Como um carvalho pelo Outono,

No descerrar de cada viagem nocturna

Quando me perco pelo sono.


(Onde estás tu sozinha a chorar

Que já sinto minha boca dorida de sal?)


E é assim deste modo carregado

Que me vou vendo a respirar,

Um pouco longe de minha presença,

Suspenso pelas pausas da ilusão

Enquanto cai tua chuva em mim

Meu pedaço de céu, nuvem distante.


João Vasco

2 comentários:

blá blá blá disse...

De cara nova! Está bonito o novo lugar de ser, com muita boa poesia sempre.

beijos
Kerubina

Anônimo disse...

awesome^^