sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Enlevo


Se me vires assim atoleimado

Em gestos e desvarios de incerteza

É porque brotou em mim a pureza

Desse trago mansinho e folgado,

Esse tão rebuscado sabor

A que chamam decerto amor.


Se me achares um pouco distraído

Perdido pelos cirros invisíveis

É porque há matérias indizíveis

A sobejar em mim, pobre arguido,

Culpado por te amar tanto assim

Que até me faço esquecer de mim.


Se eu estiver parvo a olhar para ti

Suspenso em teu calmo revelar

É porque me sinto todo a parar

Nessa aragem em que te percebi

Tu, bela como não há mais

Ninfa áurea de meus recitais.


João Vasco

3 comentários:

blá blá blá disse...

lindo enlevo João!

tb disse...

Sorte é poder enlevar-se assim e maior ainda ser o motivo do enleio. :)
Beijinho

ci disse...

passei por cá para deixar beijos da ci...:)