segunda-feira, 19 de maio de 2008

Chuva na janela


A chuva que bate no vidro da janela

A dizer que não, que não é agora

Como se houvesse uma certa hora

Para se pintar uma aguarela…

Tamanha falta de imaginação,

Dispendioso pensamento

Que se faz céu e pegajoso chão

Mar e tempo de invento.


A chuva que bate no vidro da janela

Em gestos cinzentos a pau de carvão

Traça esquissos sabor a canela,

Memórias pela palma da mão.

E a melodia da cor da tristeza

Em pintura sonora de solidão

É lançada nas calhas da incerteza

Pingo após pingo, sem conclusão.


A chuva que bate no vidro da janela

A acenar como quem chega desperto

Ou como quem vai por apertada viela

Na senda de si mesmo, já tão perto,

Mas que não chega mais que o vento,

Um toque piano de quem não existe,

Um ardor cruzado de sentimento,

Uma distância inteira que persiste.


João Vasco

4 comentários:

farfalla disse...

gosto deste sentir de chuva :)

_baci_

Margarete da Silva disse...

houve tempos em que a chuva não importava, hoje serve de disfarce às lágrimas que me descobrem a face.

por ti?
às vezes fazes-me chorar...

tb disse...

Há vidas, pessoas, momentos assim... como a chuva que cai na vidraça e se evapora.
beijo

storytellers disse...

Algo desaparecida mas sempre atenta aos teus lindos textos
beijinhos